Os caminhos da saúde da civilidade

Ao deitar assisto repórteres que vivem a difícil missão de procurar notícias que elevam o ibope da emissora e que para isso precisam evidenciar a conduta de jovens cuja profissão é uma das mais antigas e que hoje acontece assessorada pelo uso de drogas.

Acordo e me deparo com um dos primeiros noticiários da manhã cujo apresentador de cabelos brancos, atestado de sua sabedoria e anos de dedicação, confidencia seu inconformismo diante desta civilização, dizendo que não possuímos deficientes físicos mas deficientes cívicos.

Abro o jornal e leio no seu primeiro bloco que temos eleição e que os candidatos precisam ter FICHA LIMPA, mas que um grande número dos candidatos é milionário em decorrência de sua carreira política.

E indispensável que os votantes tenham saúde para ver, ouvir e decidir em um pleito eleitoral quem está apto a administrar um pais com seus estados  e fazer dele uma nação.

Dia 30 de julho no Brasil é o Dia Nacional da Saúde.

Um dia, numa praça e assistindo a uma apresentação de balet da incansável, dedicada e sonhadora  Marta Menta,  conversava eu com um médico que proferiu a seguinte afirmação:

_ Um povo com educação apresenta-se como uma população com saúde.

Eu tenho o orgulho de ter recebido o título de cidadã da cidade que conquistou o PRIMEIRO LUGAR na avaliação do IDEP e que possui uma Santa Casa que resiste ás dificuldades por ter cidadãos que se dedicam a sua conservação.

Apesar destas duas raridades citadas e de saber que o administrador de Cajuru, João Ruggeri, sua esposa e secretária da educação Isabel Ruggeri e a maioria dos seus colaboradores trabalham para sanidade cívica deste município também não ignoro que cada município depende do estado e da nação para ter saúde cívica.

Como sabemos é a experiência que confere aos homens sabedoria e para isso procurei ler sobre o que pensa sobre o tema “Se eu fosse candidato…” um escritor de 89 anos que tem a coragem de ser conhecido apesar do reconhecimento.

Ele evidencia sua vida pessoal, filosofia, futuro e morte e outros temas no livro lançado este mês, Meu Caminho, recheado de longas entrevistas concedidas a Djénane Kareh Tager.

Na minha busca encontrei um texto que foi escrito por Edgar Morin em 2007 e tomo a liberdade de enfatizar alguns trechos para nossa reflexão:

Caras concidadãs e caros concidadãos, devo primeiramente lembrar que a França nem vive em um recipiente fechado nem em um mundo imóvel.”

 O Brasil também é digno da mesma constatação.

Indicarei a via de uma política de civilização que ressuscitaria as solidariedades, faria recuar o egoísmo e, mais profundamente, reformaria a sociedade e nossas vidas. De fato, nossa civilização está em crise. Aonde chegou, o bem-estar material não trouxe necessariamente o bem-estar mental, do que são testemunhos os consumos desenfreados de drogas, ansiolíticos, antidepressivos, soníferos. O desenvolvimento econômico não trouxe o desenvolvimento moral.”

Em todas as notícias que nos chegam através dos meios de comunicação sobre o que acontece no Brasil atestamos este parágrafo de Morin.

Mas como Morin diz se faz urgente que vivenciemos a via de uma política de civilização que ressuscite a solidariedade .

Esta solidariedade deve ser mobilizada pela autêntica definição desta palavra :

  • Dependência mútua entre os homens.
  • Sentimento que leva os homens a se auxiliarem mutuamente.
  • Direito Compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas pelas outras.

Para Telma Lilia Mariasch

“Nosso horizonte é o delineamento de um conceito de solidariedade que

sirva como guia e indicador de ações solidárias.

A “solidariedade por convivência” visa a transformação estrutural da

sociedade, consolidando uma nova ética que se manifeste em todas as relações

micro-políticas do cotidiano, promovendo o agenciamento de processos de

singularização e efetivando a ação articulada em um projeto político. Porque

o ser não apenas vive, ele “con-vive, vive-com”, dando ao conceito de “solidariedade” uma conotação que vai além da cooperação e a participação: a solidariedade torna-se constitutiva, ontológica.”

Essa “nova ética” e a saúde cívica são possíveis se as cidadãs e os cidadãos que concorrem a cargos públicos comungarem de uma frase simples mas digna de ser vivida em sua plenitude:

“Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti, mas viver sem amor acho impossível.”  

Jorge Luis Borges

 Uma chuva de beijos e um cotidiano recheado de ações solidárias.

Imagem: http://2.bp.blogspot.com

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