É muito prazeroso ligar a TV pela 6ª feira de manhã e assistir o SARAU, sob a batuta de Chico Pinheiro. Ele leva da poesia à música, ele traz a música, pura sem preconceito, sem eira nem beira e com a eira e a beira do bom gosto de quem sabe ouvir, relembrar e sentir-se vivo a partir de uma obra de arte denominada música e ou poesia.
Ah Serenata, segundo os dicionários é “um concerto à noite, ao ar livre, mas também pode ser nome de certas melodias simples e graciosas. Não se trata propriamente de um modalidade musical, mas de uma forma interpretativa ou de um conjunto instrumental destinado a acompanhar pelas ruas e estradas um cantor solista.”
Eu compilo no meu currículo a grata satisfação de ter sido a musa de serenatas e posteriormente, na minha história, fui a seresteira que pela s ruas de Cajuru homenageou figuras célebres como Dona Doca, Sr. Vírgilio, Dona Elza e tantas outras pessoas que sabem o que é escutar com emoção uma serenata.Esta que, particularmente, comemora o aniversário desta charmosa “boca da mata”.
“Seresta é como que uma corruptela de serenata e afirmam os autores que foi introduzida entre nós pelos negros e mulatos.”

“No entanto a palavra serenata vem do castelhano serenada, de serenos, já sendo conhecida em nossa terra desde 1717. “É o que se deduz da nota de certo viajante francês que a registrou quando passou pela Bahia. “À noite outra coisa eu não ouvia senão os tristes acordes de um violão. Os portugueses vestidos de camisolões com o rosário a tiracolo, a espada nua debaixo daquelas vestes e armados de violão passavam sob as janelas de suas damas e em tom de voz ridicularmente terna cantavam modinhas que me faziam lembrar a música chinesa ou as nossas “gigas” da Baixa Bretanha.
Em Cajuru entoa-se na carroceria de um caminhão. O piano que dedilha o hino Ah estão chegando as flores, ah nesta manhã …..tão linda…abre esta madrugada de cores e flores.
É interessante verificar que o guru do Rock in Rio está montando seu evento recriando a sede do jazz, Nova Orleans. Mesmo não sendo o jazz considerado o pai da seresta. Ao representar esta capital do jazz com suas esquinas e calçadas no festival e tendo salpicadas suas ruas pelos seresteiros –teremos encantadas as noites e madrugadas deste festival.
O homem cria e recria, os amantes desta poesia dedilhada ou orquestrada que passa de 1717 até hoje, com a mesma emoção, por inovações sem perecer sua característica –a sensibilidade de quem sabe a homenagear e o lirismo do seresteiro que solta sua voz que ecoa nas esquinas.
Não posso deixar de relembrar as serenatas que me foram oferecidas, em Ribeirão, em Batatais, e até pelas terras das Minas Gerais.
As serestas deveriam ser tombadas e exigidas nas madrugadas para remeter o homem aos mais puros e límpidos despertar, sem susto e com todos os espaços preenchidos pelas melodias do coração.
Peça licença e deixe de ganhar tempo correndo numa esteira e sai em uma caminhada, cheia da adrenalina produzida por quem sabe fazer o outro feliz e surpreso.
Faça uma serenata e complete o seu currículo tendo como experiência, a motivacional de fazer-se seresteiro pelo menos por uma noite.
Beijocas da seresteira Vânia.
Imagens :
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