ALFAIATE, COSTUREIRA, SAPATEIRO……..SELEIRO
A extinção de uma profissão depende do referencial da idade, para muitos jovens, digo com mais de vinte anos apontam os datilógrafos como profissionais não encontrados, é claro que muitos ao assistir o escritor mirim da novela TiTiTi datilografando seu “best seller” visualiza, fora de um museu, uma máquina de datilografia, pela primeira vez.
Recordo minhas primeiras avaliações por mim “catadas a milho” na máquina preta da Cafeeira, e sendo eu atentamente observada pelo Sr. Dirceu, sócio de meu Pai, que com presteza veio em meu socorro, mas que trabalho este ligeiro datilógrafo me deu, sua velocidade era diretamente proporcional ao número de erros…
Outros, ao serem inquiridos para emitir considerações sobre misteres invalidadas pelo desuso, restabelecem algumas carreiras que vieram diretamente dos filmes assistidos nas telas do cinema ou nas telas de filmes motivacionais, como a do “ gladiador”.
Bem lembrado como profissional apagado das listas de contribuição para aposentadoria é o sombrio acendedor de lampiões.
Perambulando pelos ofícios que elencam como raros hoje em dia deparamos com engraxate, costureira, alfaiate, afiador de facas e tesouras……

Atenta a este rol, percebo que todos eles demoram mais tempo para terminar sua obra e neste mês dedicado a São José, reconhecido como padroeiro dos artesãos, reflito se estas ocupações não podem ser enquadradas como arte, pois evocam a técnica e a habilidade , que chamamos de dom.
Este modo de vida só é respeitado se esta carreira subir no “Just in time” e render uma belíssima conta bancaria.
Caso ela se estabeleça na mesma esquina por mais de cinco décadas e não tenha passado por inúmeras “reciclagens” para dinamizar sua empresa será um museu vivo de uma figura lendária.
Ao assistir o tempo presente, através das redes de informações, renovo a esperança de que o homem ainda não é medido só pelo que possui. Estas novas gerações, cansadas dos Shoppings, das coisas iguais, que liberam o tempo para novas atividades, encontram prazer em buscar elementos manuseados por estes misteres e voltam a tirar seus fones de ouvido, entrar em lojas de vinil, passando depois pelo sapateiro da esquina que no tempo recorde de uma semana ou mais transformará a mala de couro do brechó em uma mochila para seu notebook. Daí entra na costureira ou no alfaiate e experimenta a sensação de ter seu corpo espetado pelo alfinete que trará para o seu tamanho aquela vestimenta que o torna único em meio aos demais.
Nesta pachorra relembro a figura de um profissional na alfaiataria, que era exímio músico e que nas horas vagas escrevia sobre histórias de pessoas, que contribuíram para colorir seus dias e as conversas em seu alpendre, onde atendia alunos de todas as escolas, que a pedido de seus professores entrevistariam o PROFESSOR VÍRGÍLIO LANDISLAU ARENA sobre os mais diversos assuntos.
Tenho a petulância de citar “Seu Virgílio”, porque pela leitura de seu livro “Juro que é verdade” conhecemos um “mister” extinto, o “contador de histórias”, aquele que apresenta para crianças e jovens não só profissões extintas , mas elas encarnadas em seres humanos ímpares atuando em histórias incomuns .
Aproveito para lembrar meu marido, nosso “Forest Gump”, que apresenta aos filhos através de suas histórias figuras e profissões, que povoam os dicionários e a história da humanidade, e sua s atitudes nobres ou isentas de brio, altivas ou medíocres, sublimes ou notáveis, distintas ou comuns mas sempre recheadas pela alegria de ter este fiéis ouvintes e pelos finais inusitados.
E por falar em profissão rara José, meu marido relembra a história do antigo e sábio ou “sabichão” seleiro do tempo de seu pai,início do século passado quando todos “dirigiam veículos” de quatro patas, que se a sela não fosse de qualidade sofriam com as nádegas doloridas, como lembra Seu Vírgilio em seu conto “Peripécias de um Noivado”.
Este atinado seleiro foi interpelado pelo receoso assistente que revelou ter vendido uma sela a um cliente fiel,mas que havia esquecido de anotar na caderneta quem era o comprador.
Diante do problema o seleiro respondeu que colocasse para todos os clientes o valor da sela, pois os que não tivessem comprado reclamariam.
Ai todos fazem a pergunta:
__ e ai quantos reclamaram?
__ só um….
Meu beijo aos “Vintages”
Imagem: umloucoapensar.blogspot.com